Portuguesa vai se despedindo da Série C de forma melancólica 1

Um calvário sem fim, esse é o destino da grande ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DESPORTOS, que ontem perdeu para o Boa Esporte, 2 a 0, em pleno Canindé. Foi a quinta derrota rubro-verde em oito jogos disputados no Canindé, pela Série C deste ano.

Sem poder contar com os laterais Cesinha e Dener, suspensos, e precisando da vitória, o técnico Márcio Ribeiro voltou a escalar a Portuguesa com três zagueiros, dois alas, dois volantes, um meia de ligação e dois atacantes mais enfiados na zaga contrária.

1º tempo.                                                                                       

Diferentemente dos jogos anteriores, mesmo com suas acentuadas limitações técnicas, a Portuguesa até que foi relativamente bem e conseguiu criar algumas oportunidades de gol.

Aos 6’, o lateral Douglas Oliveira apareceu livre na área mas chutou fraco e torto.  Passados dez minutos e Nunes cabeceou fraco e o goleiro Daniel defendeu.   Aos 20’, outra vez Nunes, tocou de cabeça sobre o travessão. Aos 42’, Bruno Xavier chutou forte da entrada da área e a bola carimbou o poste esquerdo mineiro.

Como o jogo foi aberto, o Boa também teve suas situações para marcar com Felipe Mateus, Ricardinho e Carlos Henrique. Nas três ocasiões a defesa lusa foi envolvida com certa facilidade pelos mineiros.

Final do primeiro tempo com o justo empate, só que poderia ter sido com gols. Houve equilíbrio no jogo e a igualdade fez justiça ao desempenho das duas equipes.

2º tempo.                                                                                            

Na etapa final só deu Boa. O time de Varginha superior e de forma merecida acabou vencendo o jogo. A Portuguesa não conseguiu repetir o razoável futebol apresentado no primeiro tempo e sucumbiu diante do organizado conjunto do Boa. Márcio Ribeiro, aos 12’, tirou Bruno Mineiro e colocou Junior Timbó. Com maior volume ofensivo, os visitantes criaram cinco boas situações de gol e aproveitaram duas delas para ficarem com os três pontos. Gols de Daniel Cruz aos 30’, tentou levantar a bola no interior da área e acabou encobrindo o goleiro Pegorari que estava mal posicionado.

No desespero o técnico Márcio Ribeiro, mexeu no seu time, promoveu duas alterações, colocou Michel e Gileard nos lugares do zagueiro Marcelo e do meia João Henrique. Alterações que não surtiram efeito. A única boa chance lusa de marcar ocorreu aos 33’, Douglas cobrou falta pelo alto, Nunes desviou de cabeça, a bola entraria no canto esquerdo se o goleiro Daniel não fizesse grande defesa.

Ainda houve tempo para o segundo gol do Boa, aos 41’ pênalti que Tchô cobrou e definiu o placar.

Na Lusa:

Pegorari: Fez duas boas defesas e falhou no primeiro gol mineiro.

Marcelo: O menos ruim dos três zagueiros.

Augusto: Muito fraco.

Mateus: Atuação desastrosa.

Douglas Oliveira: Perdeu grande chance de marcar logo no começo do jogo. Um gol que poderia mudar a história da partida. Fraco na marcação e no apoio.

Bruno Xavier: Mesmo improvisado fez sua parte. Teve alguns problemas para marcar no seu setor e à medida do possível apareceu como ala. Chutou a bola mais perigosa da Portuguesa no jogo.

Alê: Melhor no primeiro tempo. Depois não conseguiu conter a movimentação de Tchô e seus companheiros.

Ronaldo: Razoável na primeira fase. Sumiu no segundo tempo.

João Henrique: Mostrou o mesmo esforço e as mesmas limitações técnicas apresentados nas partidas anteriores.

Bruno Mineiro: Uma pena vê-lo sem nenhuma condição física. No primeiro tempo até conseguiu participar de algumas jogadas, depois desapareceu.

Nunes: Facilmente marcado pelos zagueiros adversários. Cabeceou três bolas, a mais perigosa no segundo tempo quando Daniel fez a defesa do jogo.

Junior Timbó: Substituiu Bruno Mineiro e nada fez.

Michel e Gileard:  Entraram no jogo quando a casa lusa já tinha caído. Não podem ser cobrados.

Márcio Ribeiro: Acertou na formatação tática inicial. Com o fraco elenco que tinha à disposição, não restava alternativa. Esperou muito para mexer no time na etapa final. O Boa voltou bem melhor e ele deveria ter feito antes as alterações, poderia dessa forma, tentar evitar o domínio mineiro.

Arbitragem: Não teve nenhuma influencia no resultado. Aliás, deixou de apitar um pênalti contra a Portuguesa na segunda etapa.

Dessa maneira a Portuguesa vai se despedindo da Série C do Campeonato Brasileiro. Uma vergonha para sua torcida que há alguns anos não imaginava passar por tamanho constrangimento.

A verdade é que a Portuguesa vem sendo mal dirigida há muito tempo. Diretorias incompetentes, ineficazes, algumas suspeitas, foram provocando esse cenário obscuro onde o futebol luso está enquadrado.

Essa situação começou a ser criada nos anos 90, quando verdadeiros absurdos salariais começaram a ser pagos pelo caixa do clube. Certo dia, fiquei sabendo que um determinado zagueiro da Portuguesa ganhava R$ 90 mil mensais. Isso está fazendo quase vinte anos. O que esse jogador recebia na época é o que a Portuguesa tem de folha salarial hoje na disputa da Série C. Por melhor que fosse esse jogador, jamais poderia ter vencimentos nesse valor. Observem que o rombo financeiro começou lá atrás. A má administração não é de hoje.

Sempre é bom lembrar que o dinheiro rubro-verde sempre foi curto, que os valores recebidos nas cotas da televisão nunca foram iguais aos outros grandes clubes. Fica fácil concluir que a realidade financeira da Portuguesa não comportava a gastança desmedida de seus dirigentes.

Uma seqüência interminável de dirigentes despreparados fez com que o clube despencasse do patamar de destaque que sempre ocupou com o respeito de seus rivais.

No começo dos anos 2000 a Portuguesa sinalizava que seu caminho seria esse que está seguindo. As fracas campanhas começaram a virar rotina na sua vida. Em 2002, já passando por dificuldades financeiras, o clube viveu o drama de pela primeira vez ser rebaixado à Série B do Brasileiro. Pior, a lição não foi assimilada pelos seus responsáveis. Os erros, os absurdos e os descasos administrativos continuaram sendo a grande marca dos responsáveis pelos destinos do clube.

O tempo foi passando e mostrando que novos rebaixamentos aconteceriam. Começaram a surgir as ameaças de descenso nos campeonatos estaduais com fracas campanhas do futebol rubro-verde.

Sem forças para deixar a Série B e retomar a Série A do Brasileiro, o clube viveu seu vexame maior quando caiu para a Série A2 do Paulista em 2006 e por pouco não despencou para a Série C daquele ano. Uma vergonha que o sofrido torcedor luso imaginou passar.

Em 2007 surgiu uma luz no Canindé quando houve uma pausa nos rotineiros erros diretivos, o futebol foi bem conduzido e os acessos às principais divisões do Brasileiro e Paulista foram conquistados.

A alegria de habitar a Série A do Nacional durou apenas um ano. Em 2008 o clube amargou seu terceiro rebaixamento, o terceiro em sua história. Prova cabal da falta de profissionalismo que sempre imperou no Canindé.

Em 2011 tivemos o fenômeno Barcelusa, algo raro na vida lusitana. As coisas encaixaram de forma perfeita e a campanha foi maravilhosa. O torcedor ficou com a falsa impressão que o clube tinha retomado sua condição de grande e que jamais cairia de divisão nas competições que disputasse. Ledo engano, os desmandos se repetiram em 2012 e o time foi parar na segunda divisão do estadual outra vez. Ainda que resistentes, os dirigentes lusos apostaram na vinda de um profissional para a gestão do futebol. Em 2013 foi obtido o acesso à Série A1 do Paulista.

Mas a teimosia, a vaidade, a vontade de mandar foram maiores e preponderantes para que o profissionalismo do futebol rubro-verde fosse abandonado e os amadores dirigentes voltassem ao comando com liberdade para fazer o que queriam. O resultado todo sabe, surgiu o caso Heverton, até hoje não esclarecido. Tivesse o comando profissional que estava no clube até Agosto daquele ano, a lambança não teria acontecido.                      Os verdadeiros profissionais jamais deixariam de perceber esse elefante que passeou pelo Canindé sem que os “entendidos” dirigentes lusos vissem.

A derrocada continuou no ano seguinte com as constantes mudanças de Diretoria, com a guerra política, a disputa pelo poder, a falta de profissionalismo no futebol, além da inoperância da alta Direção. Com isso os rebaixamentos passaram a ser rotina na Portuguesa.

Em 2014 depois da grande bobagem feita em Joinville, o tombo à Série C foi inevitável. Em 2015 o terceiro rebaixamento no Paulista, e agora o desenhado descenso ao porão do futebol brasileiro.

Muito próxima do oitavo rebaixamento, cinco no Brasileiro e três no Paulista, a Portuguesa tem nos seus dirigentes seus maiores adversários. Sem dúvida, eles são os maiores responsáveis por esse caos.

Um abraço e até a próxima.

Antonio Quintal

Compartilhar

2 thoughts on “Portuguesa vai se despedindo da Série C de forma melancólica

  1. Não dá para acreditar o que está acontecendo com a nossa Lusa.
    Tem que tirar esses incompetentes da diretoria,e começar vida nova.
    A Lusa jamais acabará.
    Força Lusa!!.

    • Não dá para acreditar o que está acontecendo com a nossa Lusa.
      Tem que tirar esses incompetentes da diretoria,e começar vida nova.
      A Lusa jamais acabará.
      Força Lusa!!.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>